A inclusão da criança com deficiência intelectual

A inclusão da criança com deficiência intelectual

Escrito por: Dra. Christiane Cobas, Neurologista Infantil e Neurofisiologista do INISP, CRM/SP 71369 e Maria Cecilia Holanda, acadêmica do 6º. Período da Faculdade Pernambucana de Saúde.

A deficiência intelectual uma condição na qual o indivíduo apresenta alguma redução no desenvolvimento cognitivo. Crianças com deficiência intelectual apresentam barreiras, dificuldades para aprender em um nível e velocidade considerados típicos para a idade, bem como para desenvolver habilidades de comunicação, cuidados pessoais, autonomia, entre outras.

Já inclusão significa promover a convivência e participação de todos em sociedade, garantindo meios e oportunidades para que ocorra o desenvolvimento pleno de todas as pessoas, seja com ou sem deficiência. A inclusão objetiva diminuir, ou mesmo eliminar, aquelas barreiras que uma pessoa com deficiência pode ter.

Quando se fala inclusão de crianças com deficiência, é inegável a importância, e o dever, que a escola tem em promover e garantir isso.

A escola, em geral, é o primeiro contato que qualquer criança tem com um ambiente diferente do familiar, atuando como a porta de entrada para o início da vida social. Mas, além disso, a escola tem o dever de estimular o desenvolvimento dos alunos nas diversas áreas do conhecimento, respeitando e oferecendo a  eles diferentes formas de aprender, de acordo com suas habilidades e interesses. Isso é a essência da educação inclusiva.

Por que a inclusão é importante?

Ainda hoje, crianças com deficiência intelectual são, muitas vezes, reduzidas a sua deficiência e sua capacidade de desenvolvimento é subestimada, o que ignora a pluralidade que elas, como qualquer outra criança, possuem e dificulta (ou mesmo impede) sua integração à sociedade. Com isso, os direitos dessas crianças com deficiência intelectual (que são os mesmos de qualquer outra criança, qualquer outro cidadão), lhes são negados.

A inclusão faz exatamente o contrário, à medida que oferece às crianças com deficiência o que cada uma precisa para se desenvolver e se tornar um adulto integrado, de fato, à sociedade.

Estudos mostram que os alunos com deficiência que estudam em salas de aula inclusivas têm melhor desempenho acadêmico e social, melhor memória, habilidades de linguagem, e menos problemas comportamentais. Além disso, adultos com deficiência que receberam uma educação inclusiva parecem ser mais propensos a fazer curso superior, ter um emprego, ter mais amigos ou viver de forma mais independente.

E os benefícios da inclusão não se restringem às crianças com deficiência, pois também foi observado que alunos sem deficiência que estudam em salas de aula inclusivas são menos preconceituosos e acolhem mais as diferenças.

Como deve ser a educação inclusiva?

A educação inclusiva deve se adaptar a cada aluno, às necessidades, habilidades, preferências e forma de aprendizagem de cada aluno, e não o contrário. Ela deve fornecer aos estudantes, com ou sem deficiência, diferentes ferramentas com as quais eles possam obter determinado conhecimento.

Uma ideia equivocada é a de que, em uma sala de aula inclusiva, as crianças com deficiência intelectual devem receber apenas conteúdos ou atividades mais fáceis que os de crianças sem deficiência. Isso não é inclusão, pois pré-define a capacidade e limita a possibilidade de desenvolvimento delas, além de, contribuir, de certa forma para a segregação.

O que deve ocorrer em um ambiente escolar inclusivo é: a escola deve possibilitar que um mesmo conhecimento seja obtido de diferentes maneiras, com diferentes atividades, tendo o aluno (todos os alunos) o poder de escolha sobre a forma com a qual prefere ou consegue aprender, de acordo com suas capacidades ou limitações.

Qual é o papel da família?

Assim como a escola, a família tem um papel fundamental na inclusão das crianças com deficiência, uma vez que ela deve ensinar e estimular, desde cedo, a autonomia e a independência dessas crianças. Portanto, ensinar a criança com deficiência, por exemplo, a se alimentar sozinha, escovar os dentes, tomar banho, cuidar de seus pertences, de acordo com sua capacidade, seu ritmo de aprendizagem e seus limites, faz parte do processo de inclusão delas na sociedade, pois autonomia e independência são habilidades necessárias para seu pleno desenvolvimento e integração social durante a vida adulta.

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